Não fales mais, fica calado. Conserva as tuas palavras repetidas no saquinho da vida atribulada, aquele que levas contigo para todo o lado. Aquele pesado que sempre foi o teu escape de criança. Conserva as tuas lágrimas e o cheiro a manhã que trouxe nas mãos. Fica com o plástico aquecido que tenho no dedo, como se tivéssemos uma vida pela frente, como se eu quisesse saber. Pede ao tempo para ser de novo teu cúmplice, pede-lhe que abafe mais uma vez as tuas mentiras, pede-lhe para eu ser mais uma delas. Trata-me como se fosse uma utopia. Deixa-me sair, aos tropeções, como sempre. Deixa-me soltar desta teia de falsos pressupostos, de feridas elegantes, que tu fizeste questão de construir em mais um dos teus jogos de Tetris. Não vou voltar. Livra-me do paradoxo que trago no peito, rasga-me as entranhas, suga-me a alma. Faz-me chorar. Bebe o verdume que me abafa a respiração, deixa-me ir lentamente. Ouve o meu último suspiro de plenitude eterna. Beija-me, proclama a tua última ode, marca o teu sorriso no meu olhar. Adeus, vou partir. Adeus, não vou querer voltar. Adeus, levo-te comigo. Até sempre, para sempre.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
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